Culinária afro-brasileira em destaque no Brasil em 2026
A culinária afro-brasileira está em alta no Brasil em 2026, com uma explosão de novos restaurantes, chefs e iniciativas destacando essa rica tradição culinária. Após anos de reconhecimento limitado, a riqueza e diversidade dos pratos e técnicas afro-brasileiros finalmente estão ganhando o devido destaque que merecem.
Um renascimento da cozinha afro-brasileira
Nos últimos anos, uma nova geração de chefs e empreendedores têm se dedicado a trazer a culinária afro-brasileira para o centro das atenções. Inspirados pela riqueza de sabores e técnicas herdadas de gerações anteriores, eles estão abrindo restaurantes, organizando eventos e lançando iniciativas para compartilhar essa tradição tão importante para a identidade cultural do Brasil.
Um dos destaques é o chef Rodrigo Santos, que abriu seu restaurante “Àsè” em São Paulo em 2024. Com um cardápio repleto de pratos típicos da culinária afro-brasileira, como o acarajé, o vatapá e o caruru, o Àsè rapidamente se tornou um dos endereços mais concorridos da cidade. “Meu objetivo é mostrar para as pessoas a riqueza e a complexidade dessa culinária que por tanto tempo ficou à margem”, afirma Rodrigo. “Queremos celebrar nossas raízes e compartilhar essa herança com todos.”
Outra iniciativa de destaque é o festival “Sabores da Diáspora”, que acontece anualmente em Salvador desde 2023. O evento reúne chefs, produtores e comunidades quilombolas para celebrar e disseminar a culinária afro-brasileira em todas as suas vertentes. “Nosso festival é uma oportunidade incrível de valorizar essa tradição tão importante, não apenas para a Bahia, mas para todo o Brasil”, diz Marta Oliveira, uma das organizadoras.
Resgatando técnicas e ingredientes tradicionais
Além da abertura de novos restaurantes e eventos, outra tendência marcante é o resgate de técnicas e ingredientes tradicionais da culinária afro-brasileira. Muitos chefs e pesquisadores têm se dedicado a mapear, documentar e resgatar esse conhecimento culinário que por muito tempo ficou à margem.
Um exemplo é o trabalho da chef Juliana Ribeiro, que tem se dedicado a resgatar técnicas de preparo do azeite de dendê, um dos ingredientes-chave da culinária baiana. “O azeite de dendê é muito mais do que apenas um ingrediente. Ele carrega toda uma história e uma ancestralidade que precisamos valorizar”, afirma Juliana. “Tenho passado horas conversando com mestres e mestras da culinária tradicional para aprender os segredos por trás do seu preparo.”
Outra iniciativa interessante é o projeto “Raízes Quilombolas”, liderado pela chef Roberta Miranda. O projeto busca mapear e documentar as práticas culinárias de comunidades quilombolas em todo o país, resgatando ingredientes e técnicas que estavam ameaçadas de desaparecer. “Muitas dessas comunidades têm uma riqueza culinária incrível, mas que infelizmente não é tão conhecida. Nosso objetivo é trazer esses saberes para a luz e compartilhá-los com o mundo”, explica Roberta.
Valorização da diversidade e representatividade
Além do resgate de técnicas e ingredientes, outro aspecto fundamental desse renascimento da culinária afro-brasileira é a valorização da diversidade e da representatividade. Muitos chefs e empreendedores estão se empenhando em destacar a pluralidade dessa tradição culinária, que vai muito além dos pratos mais conhecidos.
Um exemplo disso é o trabalho da chef Elisa Fernandes, que abriu o restaurante “Tambor” em Recife em 2025. Com um cardápio que inclui desde pratos típicos da culinária pernambucana até receitas menos conhecidas de comunidades quilombolas, o Tambor se tornou um verdadeiro ponto de encontro da diversidade afro-brasileira. “Queremos mostrar que a culinária afro-brasileira não se resume a um punhado de pratos famosos. Ela é extremamente diversa e rica, com influências de diferentes regiões e comunidades”, afirma Elisa.
Outra iniciativa interessante é o projeto “Vozes da Diáspora”, liderado pela chef Adriana Bittencourt. O projeto busca dar visibilidade a mulheres negras que são referência na culinária afro-brasileira, mas que muitas vezes ficam à margem dos holofotes. “Infelizmente, a história da culinária afro-brasileira ainda é muito masculinizada. Queremos mudar isso e destacar o papel fundamental que as mulheres têm desempenhado nessa tradição”, explica Adriana.
Impacto social e econômico
Além do impacto cultural, esse renascimento da culinária afro-brasileira também tem tido importantes desdobramentos sociais e econômicos. Muitos empreendedores e iniciativas estão gerando oportunidades de emprego e renda para comunidades negras e quilombolas, além de fortalecer cadeias produtivas locais.
Um exemplo disso é o projeto “Sabores da Periferia”, liderado pela chef Gabriela Alves. O projeto capacita e apoia moradores de comunidades periféricas a abrirem seus próprios negócios de alimentação, com foco na culinária afro-brasileira. “Muitas vezes, essas comunidades têm uma riqueza culinária incrível, mas faltam oportunidades e recursos para transformá-la em empreendimentos de sucesso”, afirma Gabriela. “Nosso objetivo é mudar isso e gerar impacto positivo na vida dessas pessoas.”
Outro exemplo é a cooperativa de produtores de azeite de dendê “Dendezeiros da Bahia”, que reúne pequenos agricultores de diversas comunidades quilombolas. Com o crescente interesse pela culinária afro-brasileira, a demanda por esse ingrediente-chave tem aumentado exponencialmente, beneficiando diretamente esses produtores. “Nunca vi tanta procura pelo nosso azeite de dendê”, comemora Antônio Santos, presidente da cooperativa. “Isso está gerando renda e oportunidades para muitas famílias.”
Desafios e oportunidades
Apesar dos inegáveis avanços, a valorização da culinária afro-brasileira ainda enfrenta alguns desafios. Um deles é a necessidade de maior reconhecimento institucional e políticas públicas de apoio a esse setor.
“Ainda falta muito apoio e investimento do poder público para impulsionar essa agenda”, afirma a chef Roberta Miranda. “Precisamos de mais programas de fomento, linhas de crédito e iniciativas de capacitação para que esses empreendimentos possam prosperar.”
Outro desafio é a necessidade de ampliar o acesso da população em geral a esses saberes culinários. “Muitas pessoas ainda têm uma visão limitada da culinária afro-brasileira, associando-a apenas a alguns pratos famosos”, diz o chef Rodrigo Santos. “Precisamos trabalhar para que essa tradição seja mais conhecida e apreciada por todos os brasileiros.”
Apesar desses desafios, o futuro da culinária afro-brasileira no Brasil é promissor. Com o crescente interesse e valorização dessa tradição, novas oportunidades surgem a todo momento. Seja por meio da abertura de novos restaurantes, da realização de eventos e festivais, ou do resgate de técnicas e ingredientes tradicionais, a culinária afro-brasileira está finalmente ganhando o destaque que merece no cenário gastronômico nacional.
E é nesse cenário de efervescência que a culinária afro-brasileira se projeta cada vez mais como um símbolo da diversidade e da riqueza cultural do Brasil. Mais do que simplesmente pratos e técnicas, ela representa a história, a ancestralidade e a resistência de um povo que construiu, com seus sabores e saberes, uma parte fundamental da identidade gastronômica brasileira.